Falando da Vida

Um blog de reflexões sobre a vida. Espaço de temas sociais e humanos.

separados

É tão ruim quando um amor acaba. Dói, e dói todos os dias. Dói quando você escuta a música que ouviu com a pessoa, e que naquele dia fez sentido pros dois. Dói quando você vê o sofrimento da pessoa, no rosto dela. Dói quando você se lembra que tem que avisar pessoas.

Dói quando você se lembra das famílias. Dói o tempo todo e o dia inteiro. Um pouco mais, um pouco menos…

Dói nas grandes e nas pequenas coisas. Dói quando você se lembra de uma série que pararam no meio, e que agora voltou. E um não assistia sem o outro. E você se pergunta: como que faço para ver agora?

Você não vai ver né? Vai perguntar para amiguinha como que foi o fim e ponto. Aquela série perdeu o sentido para você. De repente você vai assistir de novo e nem vai achar graça. Além disso, você nem tem tempo de ver série mais. Ah, a desculpa! A desculpa é demais…

A desculpa te persegue durante sei lá quanto tempo. O medo. A mentira pra si mesmo. A impotência. Os complexos. A vergonha! Tudo.

Dói todo dia, todo dia machuca. Você tenta lidar. Melhora um pouco. Piora. Melhora um pouco. Piora de novo. E por aí vai. Já se passou um mês, dois, três… Quando que vai acabar??

Sensação de culpa horrível. Quem terminou foi você. Quem machucou foi você. Escolheu o pior momento. Os amigos riem, consolam, mas também te detonam. Alguns entendem melhor. Te ajudam e dão amor. Mas tem uns, que chegam a ser cruéis. Te dão conselhos ruins. Te jogam numa lama horrível.

Pessoas que deveriam te dar apoio vão lá e fazem o favor de piorar tudo. Você começa a descobrir uma porção de coisas que não sabia. E se machuca mais. Agora não é só a separação, parece que é tudo na sua vida, ao mesmo tempo. Você descobre coisas sobre si mesmo desde o útero. Você não queria saber, mas acaba sabendo, e até acha melhor, apesar de doer.

As pessoas não aguentam separação. Todo mundo quer opinar, impressionante! Fazer comparações. Caramba, as pessoas devem ser doentes, só pode.

Você todo dia apanha e levanta. Parece que vem descendo uma ladeira e se machucando todo. Quando pensa que já terminou de se machucar, que levou o golpe máximo, vem alguém e pisa de novo. Alguém que sabia o que você estava passando. Que você ligou no dia anterior pedindo apoio.

Você conclui que precisa descansar e pronto. Foda-se. Nem trabalhar com um fone de ouvido nas alturas você aguenta mais. Dormir há um bom tempo virou luxo.

Você começa a tirar pessoas do seu caminho. Que nem uma máquina de guerra. Você fica com raiva, chora, sente pena. Mas em nenhum momento sente pena de si mesmo. E observa exemplos de pessoas que passaram por coisas piores e admira.

Algumas pessoas ajudam. Surgem novos sentimentos. Você tenta se ajudar. Você é o que mais se ajuda. E assim que tem que ser. Não jogue isso pra ninguém.

Você segue em frente. Fica satisfeito, apesar de ainda sentir dor. Mas você morreu. O outro você morreu.

Será que é assim com todo mundo, ou parecido?

Você chora mais. Sai. Sozinho. Com gente. Fica em casa. Escuta música. Vai numa missa, em uma palestra kardescista. Vai variando de atividade. Um dia de cada vez. Aos poucos, você dorme de novo. Mas não sabe como será no dia seguinte.

Porque você morreu. E como na hora da morte, a gente não sabe como será o momento seguinte. Por mais que se tenha fé, você não sabe. E você sente medo. Aceite, confesse.

Mas calma. Aquele que morreu foi o você anterior. Aquele que fingia uma coisa que não é. Aquele me mentia para si mesmo sempre que precisava. Mentia ou omitia, ou ambos.

Agora só tem o você que é você mesmo. E começa a pensar no que isso é, e no que pode vir a ser. Uma nova vocação? Novos amigos? Menos amigos? Novo trabalho? Novo amor? Mais amor por si mesmo? Mais honestidade no que fizer? Não dá pra saber. Nem queira. Não hoje.

Só faça o que for possível, dentro da sua vontade.

 

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