Falando da Vida

Um blog de reflexões sobre a vida. Espaço de temas sociais e humanos.

paraiso perdido vertical

“Meu amor, me faça acreditar que tudo é possível”. Assim como na música Amor Marginal, de Johnny Hooker, todos os românticos bregas querem acreditar que esse sonho dourado existe. Aquele amor forte, de cinema, que rasga o peito, que leva às lágrimas. Em Paraíso Perdido (trailer aqui), filme de Monique Gardenberg – mesma diretora de Ó PAÍ, Ó – encontramos uma boate em estilo bem cafona, a Paraíso Perdido do título, onde a frase de Hooker parece se concretizar.

Logo no início da história aparece um herói (será?), que é aquilo que muitos querem em um romance. Um homem que vai mudar todo o curso dos acontecimentos. E vem a música “Impossível acreditar que perdi você” , do compositor Márcio Greyck (mas que só me faz pensar em Fábio Jr.), porque essa é a frase que falamos quando perdemos um grande amor. Ou isso, ou algo do tipo: “Sinto-me perdido no vazio que você deixou”. E dá aquela dor no peito e vontade de se agarrar doentiamente ao sentimento, arrastar-se aos pés da pessoa e pedir mais uma chance. Afinal, “eu já não consigo mais viver dentro de mim, e viver assim é quase morrer”.

 

A história prossegue com clássicos como “Doce Pecado”, de Reginaldo Rossi, e “Tortura de Amor”, de Waldick Soriano (amo esses títulos, rs). E na trama, encontros e desencontros amorosos de uma família pra lá de apaixonada, que misturam todo o tipo de combinação que se possa imaginar: amor e violência, brigas, crimes, amor não correspondido, gravidez indesejada, traição, poliamor, etc. Parece que as situações abordadas foram escolhidas a dedo, caprichosamente. Com espaço até mesmo para interpretação em Libras, a Língua Brasileira de Sinais. É difícil imaginar alguém saindo da sala de cinema sem identificação com pelo menos um dos momentos apresentados.

 

Afinal, quem é que nunca na vida fugiu de alguém, ou teve que parar de pensar na pessoa para prestar atenção na estrada ou achou que o mundo havia esquecido da sua existência, como na música 120… 150… 200 Km Por Hora, de Roberto Carlos? Ou achou que ia sonhar com alguém pela vida inteira, como em “Sonhar Contigo”, de Adilson Ramos? (E depois provavelmente se apaixonou por outro e deixou pra lá o anterior. Apesar do que eu acredito, como boa amante da psicologia junguiana, mas que não sabe nada a fundo sobre isso, que em alguns casos bem raros os sonhos nunca acabam – e isso não vale somente para sonhos amorosos. Mas aí já é assunto pra outro post).

 

A trilha também tem espaço para gêneros internacionais, como You’re So Vain, de Carly Simon, e Tango para Teresa, de Ângela Maria. Mesmo porque, sem música de fossa argentina, não dá pra falar direito de brega né? (Recentemente eu, inclusive, fiquei sabendo de uma loucura de amor feita por uma menina de lá que me levou a pensar que esse estilo musical realmente está mexendo demais com a cabeça dos hermanos).

 

Em cena, os atores souberam corresponder totalmente a esse clima romântico trágico. No elenco temos nomes como Erasmo Carlos, Seu Jorge e Malu Galli. O destaque vai para o cantor Jaloo (de quem me torno cada dia mais fã), que está estreando no cinema, mas já com uma grande performance. Ele interpreta a transexual Ímã, que como muitas de nós (sejam mulheres, trans, lésbicas, etc) sofre com o preconceito do mundo machista em que vivemos. Para a sociedade, Ímã responde: “Pode não parecer, mas eu adoro ser homem”. E em outra cena, seu tio completa: “As pessoas não te odeiam pelo que você é, mas pelo que elas não conseguem ser”.

 

E no palco de Paraíso Perdido, Ímã mostra todo o talento que tem e que é realmente raro de encontrar por aí. Com uma voz doce e ao mesmo tempo potente, canta com todo o sentimento que o mais forte amor exige, porém com a delicadeza de uma menina e a sensualidade de uma mulher. E atrai e prende a atenção de todos (no filme e fora dele, na cadeira no cinema), como um verdadeiro ímã.

 

Mas é em uma cena de Júlio Andrade que toca a canção que realmente me marcou e que ajuda a finalizar o texto. Em “Minhas Coisas”, de Odair José, aparece o verso: “Se eu soubesse que iria lhe perder, não teria acostumado minhas coisas com você”.

 

Amar e perder são quase que sinônimos. Mesmo naqueles relacionamentos mais longos, um dia se perde a pessoa amada para a morte. Outro dia me disseram que é normal sofrer nessas horas, porque é sempre como se perdêssemos uma parte de nós. E perder essas partes sempre machuca, inevitavelmente. Quem ama precisa estar preparado para isso, mesmo que seja impossível. Amar é se preparar para o impossível.

 

E ainda assim, por mais difícil que seja, as pessoas continuam amando, entrando em novas relações, acostumando suas coisas com o outro e acreditando que pode dar certo mesmo depois de incontáveis términos. Porque queremos sim, uns mais, outros menos, ACREDITAR QUE TUDO É POSSÍVEL!

 

Obs: Para quem gostou e quiser ouvir a trilha completa, está no Spotify. Só clicar aqui!
E sejam bem-vindos ao Paraíso Perdido. Um lugar para aqueles que sabem amar!

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