Falando da Vida

Um blog de reflexões sobre a vida. Espaço de temas sociais e humanos.

Say Goodbye, Jaloo

Não é fácil perder alguém que amamos. Ou que pensamos amar. Seja para a morte, seja para a própria vida. Mas é necessário aprender a dizer adeus. Seja deixando flores no túmulo, seja jogando fotos e discos no mar, como em Volta, de Johnny Hooker.

 

Essa palavrinha mágica muda muita coisa. É essencial para abandonar a dor. Para virar a página e seguir em frente. Além disso, dizer adeus ajuda o outro a se libertar. Ninguém está preso a ninguém para sempre, e tanto aquele que fica, quanto aquele que vai, precisam de paz. Quem já passou por isso sabe.

 

A cabeça nessas horas fica uma zona. Como diz Jaloo em sua nova música, Say Goodbye (vídeo acima): “Meu bem, tá tão confuso de viver. Os dias passam e eu só rezo para tudo se resolver”. Rezar, relaxar, ouvir uma música, assistir um bom filme, ficar perto dos amigos…não importa! O importante é buscar a cura.

 

A solução encontrada por muitos artistas foi jogar toda essa tristeza em seus trabalhos. Transformar um problema em um poema! Afinal, ninguém tira inspiração do nada né? É como dizem por aí: a arte imita a vida.

 

O fato é: não adianta viciar na tristeza, como Jaloo fala na canção. O único caminho para a felicidade, mesmo que distante, é superar, dizer adeus, esquecer. E muitas vezes ela nem está tão distante assim. A partir daí surgem inúmeras outras possibilidades, pode ter certeza! Confia na vida!

 

 

paraiso perdido vertical

“Meu amor, me faça acreditar que tudo é possível”. Assim como na música Amor Marginal, de Johnny Hooker, todos os românticos bregas querem acreditar que esse sonho dourado existe. Aquele amor forte, de cinema, que rasga o peito, que leva às lágrimas. Em Paraíso Perdido (trailer aqui), filme de Monique Gardenberg – mesma diretora de Ó PAÍ, Ó – encontramos uma boate em estilo bem cafona, a Paraíso Perdido do título, onde a frase de Hooker parece se concretizar.

Logo no início da história aparece um herói (será?), que é aquilo que muitos querem em um romance. Um homem que vai mudar todo o curso dos acontecimentos. E vem a música “Impossível acreditar que perdi você” , do compositor Márcio Greyck (mas que só me faz pensar em Fábio Jr.), porque essa é a frase que falamos quando perdemos um grande amor. Ou isso, ou algo do tipo: “Sinto-me perdido no vazio que você deixou”. E dá aquela dor no peito e vontade de se agarrar doentiamente ao sentimento, arrastar-se aos pés da pessoa e pedir mais uma chance. Afinal, “eu já não consigo mais viver dentro de mim, e viver assim é quase morrer”.

 

A história prossegue com clássicos como “Doce Pecado”, de Reginaldo Rossi, e “Tortura de Amor”, de Waldick Soriano (amo esses títulos, rs). E na trama, encontros e desencontros amorosos de uma família pra lá de apaixonada, que misturam todo o tipo de combinação que se possa imaginar: amor e violência, brigas, crimes, amor não correspondido, gravidez indesejada, traição, poliamor, etc. Parece que as situações abordadas foram escolhidas a dedo, caprichosamente. Com espaço até mesmo para interpretação em Libras, a Língua Brasileira de Sinais. É difícil imaginar alguém saindo da sala de cinema sem identificação com pelo menos um dos momentos apresentados.

 

Afinal, quem é que nunca na vida fugiu de alguém, ou teve que parar de pensar na pessoa para prestar atenção na estrada ou achou que o mundo havia esquecido da sua existência, como na música 120… 150… 200 Km Por Hora, de Roberto Carlos? Ou achou que ia sonhar com alguém pela vida inteira, como em “Sonhar Contigo”, de Adilson Ramos? (E depois provavelmente se apaixonou por outro e deixou pra lá o anterior. Apesar do que eu acredito, como boa amante da psicologia junguiana, mas que não sabe nada a fundo sobre isso, que em alguns casos bem raros os sonhos nunca acabam – e isso não vale somente para sonhos amorosos. Mas aí já é assunto pra outro post).

 

A trilha também tem espaço para gêneros internacionais, como You’re So Vain, de Carly Simon, e Tango para Teresa, de Ângela Maria. Mesmo porque, sem música de fossa argentina, não dá pra falar direito de brega né? (Recentemente eu, inclusive, fiquei sabendo de uma loucura de amor feita por uma menina de lá que me levou a pensar que esse estilo musical realmente está mexendo demais com a cabeça dos hermanos).

 

Em cena, os atores souberam corresponder totalmente a esse clima romântico trágico. No elenco temos nomes como Erasmo Carlos, Seu Jorge e Malu Galli. O destaque vai para o cantor Jaloo (de quem me torno cada dia mais fã), que está estreando no cinema, mas já com uma grande performance. Ele interpreta a transexual Ímã, que como muitas de nós (sejam mulheres, trans, lésbicas, etc) sofre com o preconceito do mundo machista em que vivemos. Para a sociedade, Ímã responde: “Pode não parecer, mas eu adoro ser homem”. E em outra cena, seu tio completa: “As pessoas não te odeiam pelo que você é, mas pelo que elas não conseguem ser”.

 

E no palco de Paraíso Perdido, Ímã mostra todo o talento que tem e que é realmente raro de encontrar por aí. Com uma voz doce e ao mesmo tempo potente, canta com todo o sentimento que o mais forte amor exige, porém com a delicadeza de uma menina e a sensualidade de uma mulher. E atrai e prende a atenção de todos (no filme e fora dele, na cadeira no cinema), como um verdadeiro ímã.

 

Mas é em uma cena de Júlio Andrade que toca a canção que realmente me marcou e que ajuda a finalizar o texto. Em “Minhas Coisas”, de Odair José, aparece o verso: “Se eu soubesse que iria lhe perder, não teria acostumado minhas coisas com você”.

 

Amar e perder são quase que sinônimos. Mesmo naqueles relacionamentos mais longos, um dia se perde a pessoa amada para a morte. Outro dia me disseram que é normal sofrer nessas horas, porque é sempre como se perdêssemos uma parte de nós. E perder essas partes sempre machuca, inevitavelmente. Quem ama precisa estar preparado para isso, mesmo que seja impossível. Amar é se preparar para o impossível.

 

E ainda assim, por mais difícil que seja, as pessoas continuam amando, entrando em novas relações, acostumando suas coisas com o outro e acreditando que pode dar certo mesmo depois de incontáveis términos. Porque queremos sim, uns mais, outros menos, ACREDITAR QUE TUDO É POSSÍVEL!

 

Obs: Para quem gostou e quiser ouvir a trilha completa, está no Spotify. Só clicar aqui!
E sejam bem-vindos ao Paraíso Perdido. Um lugar para aqueles que sabem amar!

morena

 

Nina, jornalista, pseudo escritora meio poeta, se preparava para escrever um artigo sobre sofrimento e superação. Um texto profundo. Mas essa lição teve que ficar para outro dia porque, de repente, assim, do nada, apareceu a voz de Tom Jobim cantando um clássico.

Ela é carioca
Ela é carioca
Basta o jeitinho dela andar
Nem ninguém tem carinho assim para dar…”

 

Essa música mudou todo o rumo. Aliás, é o que mais acontece ultimamente na vida de Nina.

 

Ela se olhou no espelho e se deu conta de que é sim a carioca da música. Uma das tantas inexplicáveis cariocas de Jobim. Com um jeitinho único de andar e de gesticular, que vai muito além do que está na letra. Uma canção não dá conta da sua complexidade.

 

Nina é linda por dentro e por fora. E não é porque meia duzia de caras disseram. É porque ela realmente é assim. De cabelo liso, cacheado ou normal. De vestido longo, de jeans, de camisola ou mesmo de roupa rasgada. Só é e pronto.

 

E carrega o universo no peito. É quase uma máquina de emoção. Além de ser forte. Pouca gente acompanha esse ritmo (ou ninguém). Tem uma alma enorme. Maior que o mundo. Mas calça, pasmem, 34. Que delicada contradição!

 

Mas o que ela quer? O que um homem precisa fazer para conquistar a dona de tanta beleza? Nem ela mesma saberia responder. E mesmo que soubesse não diria. É segredo. E que sigam inventando canções…

 

Só sei que sou louco por ela
E pra mim ela é linda demais
E além do mais
Ela é carioca
Ela é carioca”

 

Obs: Justiça seja feita. “Ela é carioca” não é só de Jobim. A composição é do querido poetinha, Vinícius de Moraes.  Escute aqui!

amigos foto

Eles estão ali, seja nos momentos bons ou ruins. Preparados para tudo. Inclusive para quando nos afastamos deles por causa de um namoro ou paixotine qualquer. E depois voltamos com aquela cara de bunda dizendo: “Que arrependimento! Até dos meus amigos me afastei por causa dele(a)!”

Nessas horas, os amigos (os verdadeiros) sempre estendem a mão e dizem, na forma de um sorriso: “esquece isso, já passou”. São esses anjos, que a vida nos deu, que fazem toda a diferença na hora de superar alguma dificuldade. Nos tratam com carinho, sem julgamentos, e nos acolhem, mesmo quando discordam da gente.

 

Mas as amizades não são só pros momentos difíceis né? Amigos são pra diversão, pra trocar ideias, aprender coisas novas. Não é à toa que dizem por aí que uma das melhores terapias é sentar num bar com um ou vários deles, e só falar da vida. Deixar o pensamento fluir, e relaxar. Quer alegria maior que essa?

 

Esses pequenos momentos muitas vezes crescem tanto ao longo da nossa trajetória que acabam transformando esses companheiros em quase irmãos, uma verdadeira família. Eles acabam sabendo mais sobre a gente que nossos próprios parentes. E sem cobrar nada em troca (isso é importante). Em uma sociedade capitalista e egoísta como a que nós vivemos, essa é uma das melhores formas que a vida encontra de nos mostrar que ainda há esperança!

 

Por tudo isso, como canta Milton Nascimento em Canção da América:

 

Amigo é coisa para se guardar
No lado esquerdo do peito
Mesmo que o tempo e a distância digam “não”
Mesmo esquecendo a canção
O que importa é ouvir
A voz que vem do coração

agradecimento

Acostumei a acordar sem seu bom dia. E a passar a tarde sem suas mensagens. Mas era à noite quando eu dormia e me lembrava que nada ia acontecer no dia seguinte que realmente doía. O nome disso é saudade.

 

E que saudade! Ela começava cedo quando eu acordava de um sonho com você, mas logo partia quando eu mergulhava nas minhas atividades.

 

Voltava ao meio do dia com uma pontada de leve no peito, quando me lembrava rapidamente do que passamos juntos. Às vezes nem tão leve.

 

Porém o pior era à noite. Dizem que esse é o momento de maior angústia na sociedade ocidental. Será que temos medo do escuro? Ou será que o escuro nos revela nossos piores medos?

 

Era nesse horário que o coração parecia totalmente vazio. Ou cheio de tanta dor. Era a saudade. Que sufocava o peito com lembranças. Que fazia chorar. Que te fazia perder o sono, o apetite, o amor próprio.

 

O nome disso é saudade. E só.

 

MAS…SAUDADE SIM, TRISTEZA NÃO!

 

Os momentos de luto são necessários. Ajudam a dar sentido ao que estamos sentindo. A colocar a nossa dor para fora e nos libertamos. Ficam resquícios, ficam lembranças, mas o sofrimento precisa acabar.

 

Hoje você está melhor que ontem. E amanhã certamente estará melhor que hoje. Um dia de cada vez.

 

Até que uma manhã você acorda e sonhou com algo totalmente diferente. É um sinal de que algo está mudando. Você já está preparado (ou se preparando), para uma nova fase, cheia de luz.

 

E dentro do seu coração, aparece aquela frase tão linda que te disseram uma vez e já te provocou raiva, tristeza, descrença. Mas hoje, ela te traz paz.

 

– O Universo é perfeito!

 

 

 

 

Texto de Tamyres Matos (jornalista e colaboradora do Blog)

 

Que tipo de mulher você deve ser para que (os homens) gostem de você? Seja inteligente (mas não tanto, ELES não gostam de sabichonas). Seja sensual (mas não tanto, ELES vão achar que você é vadia). Seja sensível (mas não tanto, ELES não gostam de muito nehnhenhé). Seja bonita (mas apenas para o SEU HOMEM, quanto aos outros, prefira a discrição). Seja independente (mas não tanto, ELES gostam de ter alguém para cuidar).

 

Eu juro que esse parágrafo poderia ter múltiplas laudas de “recomendações”. E olha que ainda podemos dizer que evoluímos, sabia? Hoje em dia, se aparece escrito em uma capa de revista “como agir para não afastar o homem dos seus sonhos” causa algum tipo de estranhamento. Há cerca de 10 anos, esse era um chamariz clichê, uma forma comum de abordar a eterna busca por aprovação a qual nós, mulheres, estaríamos fadadas a viver em cada uma das fases da nossa vida.

 

Mas apesar dos avanços, ainda existem diversos atos de crueldade (no sentido físico) inomináveis em diversas partes do mundo (como a mutilação genital feminina, ainda comum em algumas regiões da África e muitas outras questões) que precisam ser combatidos.

 

Já leram os dados oficiais sobre a violência contra a mulher no Brasil? De acordo com a Pesquisa de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (2017), por exemplo, 27% das mulheres do Nordeste brasileiro, com idades de 15 a 49 anos, já sofreram algum tipo de violência doméstica. No mesmo universo da pesquisa, 17% já foram agredidas fisicamente.

 

O que isso provoca na psique da mulher? Sentimento de inferioridade, depressão, medo de se relacionar, aversão a si mesma, vergonha. Essa é uma realidade para milhões de mulheres no mundo. Muitas acreditam que foram xingadas, humilhadas e espancadas porque não seguiram à risca aquelas regras apontadas no primeiro parágrafo deste texto.  Imaginem só! Mas essas paranoias não ocorrem em casos extremos, a nossa sociedade inteira é orientada para a mulher se enxergar menor que o homem.

 

Mulheres representaram 24% dos protagonistas dos 100 filmes de maior bilheteria nos Estados Unidos em 2017, segundo estudo da San Diego State University. O protagonismo que, muitas vezes (e ainda), nos é negado nas obras de ficção, também nos coloca para escanteio na vida real (se deixarmos). Sobram-nos os papéis subalternos, que caibam nos sonhos dos homens protagonistas. Até para sermos “elogiadas”, somos idealizadas (com as condições que abriram o texto e tantas outras).

 

Mulher é essência e superfície. Somos universo, complexidade, companhia, solidão. Somos ato e potência. Nosso tudo e nosso nada residem em nós, não neles. É preciso que nos lembremos disso a cada segundo. Não nascemos para preencher lacunas na vida de homens e nem devemos aguardar que eles preencham lacunas nossas. Não devemos cumprir regras para ser quem ELES querem que sejamos. Somos quem podemos (e queremos) ser, mesmo que amemos ELES desde o fundo da alma, devemos continuar inteiras. Sejamos NÓS (desatados ou atados, o que VOCÊ preferir).

menina balanco

Posso parecer super independente, mas dentro de mim vive uma criança. Uma menina que precisa de colo. Um bebê que quer o tempo todo comida e atenção. Que não sabe ficar sozinho. Que tem medo de luz apagada.

 

Posso parecer alguém que resolve tudo, é autossuficiente, bem resolvido. Mas no meu coração tem um vazio gritando pra ser preenchido, por um outro que venha ajudar a dividir essa estrada difícil que é a vida. Não se dedicando nem mais, nem menos, mas igual a mim.

 

Uma pessoa que não vá me empurrar para as decisões difíceis, mas que também não vá se esquivar de contribuir pra solução delas. Alguém que participe, esteja a par dos fatos, se informe, busque. Alguém que divida as responsabilidades não somente porque é preciso, mas porque queira. Escolha ser companheiro. E goste disso.

 

Posso parecer alguém que não precisa de nada. Que se basta por si só. E muitas vezes até sou. Mas em outras tantas, desejo muito que apareça esse outro, que seria quase como um pai, ou talvez um irmão, ou um grande amigo. Mas não, esse alguém, como todos os leitores já devem ter entendido, é um amor.

 

Não vale a pena esperar por ele. É preciso viver. E a vida não é mero caminho para preencher buracos no coração. A vida é pra valer e precisa ser vivida de verdade, em cada um dos seus momentos, tristes ou felizes.

 

Mas se um dia Deus acordar de excelente humor e se lembrar dessa doce jovem independente mas de coração desassossegado, fica a mensagem: “Tô aqui”.

%d blogueiros gostam disto: